Estratégias: disponibilizar para os alunos uma cópia do texto, e para a produção final visitar a sala de informática.
Público Alvo: 8º Ano
1) Agrupamentos Construtivos de acordo com os nívemédios/ médios com fortes)is de dificuldades dos
Fazer leitura coletiva e depois individual: pelos alunos em função da presença de pontuação expressiva.
Atividade
2) Que conhecimentos de Biologia e Química estão presentes no texto?
Levantamento de vocabulário.
3) Questionamento sobre os apelidos do personagem principal:
a) O que os apelidos dizem sobre ele?
b) O que os apelidos dizem sobre as pessoas?
Alunos com dificuldades:
·pontuação
·elementos da narrativa ( atividade oral)
( Narrador, personagens, tempo, espaço, clímax)
Alunos com menos dificuldades:
·pontuação ( fazer pesquisa no livro didático sobre uso da vírgula, ponto final e ponto de exclamação)
analisar (o texto sem pontuação para compreender os efeitos que a pontuação correta provoca)
Informações implícitas no texto:
4)- O que sugere “Pode?” no primeiro parágrafo?
...as contas de telefone aumentaram, depois diminuíram...
O que isso significa na vida pessoal de um casal?
alunos (
fracos com
5) Produção Escrita
Pesquisa com o tema “Beijo” com
diversidade de gêneros- linguagem verbal e não verbal: música, poema,
fotografia, cartazes etc: Produção de autoria dos alunos.
Providencie uma cópia do texto abaixo para os alunos
Texto I
Meu Primeiro Beijo
Antonio Barreto
É dificil acreditar, mas meu primeiro beijo foi num ônibus, na volta da escola. E sabem com quem? Com o Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal. Nem eu nem ele sabíamos exatamente o que era "o beijo". Só de filme. Estávamos virgens nesse assunto, e morrendo de medo. Mas aprendemos. E foi assim...
Não sei se numa aula de Biologia ou de Química, o Culta tinha me mandado um dos seus milhares de bilhetinhos:
" Você é a glicose do meu metabolismo.
Te amo muito!
Paracelso"
E assinou com uma letrinha miúda: Paracelso. Paracelso era outro apelido dele. Assinou com letrinha tão minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto maternal, coisas de mulher...E também não sei por que: resolvi dar uma chance pra ele, mesmo sem saber que tipo de lance ia rolar.
No dia seguinte, depois do inglês, pediu pra me acompanhar até em casa. No ônibus, veio com o seguinte papo:
- Um beijo pode deixar a gente exausto, sabia? - Fiz cara de desentendida.
Mas ele continuou:
- Dependendo do beijo, a gente põe em ação 29 músculos, consome cerca de 12 calorias e acelera o coração de 70 para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou coragem e pegou na minha mão. Mas continuou salivando seus perdigotos:
- A gente também gasta, na saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina; 0,18 g de substâncias orgânica; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e pelo menos 250 bactérias...
Aí o bactéria falante aproximou o rosto do meu e, tremendo, tirou seus óculos, tirou os meus, e ficamos nos olhando, de pertinho. O bastante para que eu descobrisse que, sem os óculos, seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis e brilhantes. E achei gostoso aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente. Ele beijou a pontinha do meu nariz, fechei os olhos e senti sua respiração ofegante. Seus lábios tocaram os meus. Primeiro de leve, depois com mais força, e então nos abraçamos de bocas coladas, por alguns segundos.
E de reperente o ônibus já havia chegado no ponto final e já tínhamos transposto , juntos, o abismo do primeiro beijo.
Desci, cheguei em casa, nos beijamos de novo no portão do prédio, e aí ficamos apaixonados por vária semanas. Até que o mundo rolou, as luas vieram e voltaram, o tempo se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram, depois diminuíram...e foi ficando nisso. Normal. Que nem meu primeiro beijo. Mas foi inesquecível!
BARRETO, Antonio. Meu primeiro beijo.Balada do primeiro amor. São Paulo: FTD, 1977. p. 134-6.
- Peça aos alunos que façam uma leitura silenciosa do texto e depois leia-o você em voz alta para que eles ouçam.
- Faça, oralmente, as seguintes perguntas aos alunos:
Vocês já conheciam esse texto?
O que acharam dele?
Qual o tema tratado no texto?
A seu ver, qual o público alvo desse texto? Explique.
- Após esse pequeno debate, destaque com os alunos os elementos da narrativa.
- Apresente para os alunos (em transparências, cópias de textos ou mesmo no quadro) as seguintes teorias.
“A narração é um relato centrado num fato ou acontecimento; há personagens a atuar e um narrador que relata a ação. O tempo e o ambiente (ou cenário) são outros elementos importantes na estrutura da narração.O enredo, ou trama, ou intriga, é, podemos dizer, o esqueleto da narrativa, aquilo que dá sustentação à história, ou seja, é o desenrolar dos acontecimentos. Geralmente, o enredo está centrado num conflito, responsável pelo nível de tensão da narrativa; podemos ter um conflito entre o homem e o meio natural (como ocorre em alguns romances modernistas), entre o homem e o meio social, até chegarmos a narrativas que colocam o homem contra si próprio (como ocorre em romances introspectivos).”
- Relembre o texto lido ( Meu Primeiro Beijo, de Antonio Barreto) e peça que os alunos, oralmente, indiquem o enredo do trecho, destacando o conflito apresentado.
- Professor: peça que os alunos pontuem, oralmente, tais elementos apresentados no texto lido. Para isso faça perguntas como:
Quais os personagens envolvidos no texto lido Meu Primeiro Beijo ?
No texto, há personagens secundários?
Pontue alguns traços psicológicos notados nos personagens.
Em que espaço se dão os acontecimentos?
O tempo da narrativa é apresentado de forma cronológica ou não? A trama cobre um período longo ou curto de tempo?
- Peça sempre que os alunos justifiquem suas respostas. Quando for pertinente, solicite-lhes que destaquem trechos do texto que ilustrem as respostas dadas.
Texto II
Eduardo E Mônica
Legião Urbana
Composição: Renato Russo
Quem um dia irá dizer/Que existe razão?/Nas coisas feitas pelo coração?/E quem irá dizer/Que não existe razão?/Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar/Ficou deitado e viu que horas eram/Enquanto Mônica tomava um conhaque/No outro canto da cidade, como eles disseram.../Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer/E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer.../Um carinha do cursinho do Eduardo que disse:/"Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir/"Festa estranha, com gente esquisita/"Eu não 'to' legal, não aguento mais birita/"E a Mônica riu, e quis saber um pouco mais/Sobre o boyzinho que tentava impressionar/E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa/"É quase duas, eu vou me ferrar.../"Eduardo e Mônica trocaram telefone/Depois telefonaram e decidiram se encontrar/O Eduardo sugeriu uma lanchonete,/Mas a Mônica queria ver o filme do Godard/Se encontraram então no parque da cidade/A Mônica de moto e o Eduardo de camelo/O Eduardo achou estranho, e melhor não comentar/Mas a menina tinha tinta no cabelo/Eduardo e Mônica era nada parecidos/Ela era de Leão e ele tinha dezesseis/Ela fazia Medicina e falava alemão/E ele ainda nas aulinhas de inglês/Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus De Van Gogh/ e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud/E o Eduardo gostava de novela/E jogava futebol-de-botão com seu avô/Ela falava coisas sobre o Planalto Central/Também magia e meditação/E o Eduardo ainda tava no esquema "escola, cinema,clube, televisão"./E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente/Uma vontade de se ver/E os dois se encontravam todo dia/E a vontade crescia como tinha de ser.../Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia/Teatro, artesanato, e foram viajar/A Mônica explicava pro Eduardo/Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar.../Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer/E decidiu trabalhar/E ela se formou no mesmo mês/Que ele passou no vestibular/E os dois comemoraram juntos/E também brigaram juntos, muitas vezes depois/E todo mundo diz que ele completa ela/E vice-versa, que nem feijão com arroz/Construíram uma casa há uns dois anos atrás/Mais ou menos quando os gêmeos vieram/Batalharam grana, seguraram legal/A barra mais pesada que tiveram/Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília/E a nossa amizade dá saudade no verão/Só que nessas férias, não vão viajar/Porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação/Ah! Ahan!/E quem um dia irá dizer/Que existe razão/Nas coisas feitas pelo coração?/E quem irá dizer/Que não existe razão!
- Distribua a letra da música para os alunos e proponha as seguintes perguntas que poderão ser realizadas oralmente ou por escrito:
O que há em comum entre a música ouvida agora e o texto lidoMeu Primeiro Beijo? (Espera-se que os alunos percebam a semelhança na temática dos dois textos – amor, relacionamentos)
Podemos dizer que a música ouvida é uma narrativa? Por quê?
Quais os personagens apresentados na música?
O narrador é personagem ou observador? Justifique sua resposta.
Os acontecimentos narrados acontecem de forma mais ou menos rápida? A ordem é cronológica ou não? Cobrem um período longo ou curto de tempo?
A história se passa em um espaço delimitado? Destaque do texto trechos que se referem ao espaço.
Que fato deu origem à narrativa?
Fica claro na música o desfecho da narrativa? Qual é o desfecho?
A seu ver, a visão do amor aqui apresentada é a mesma do texto anterior? Justifique.
Assistir ao vídeo clipe da música acima com o propósito de comparar o vídeo e a música
Terceira etapa:
-Distribua para os alunos o texto abaixo.
Texto III
TRAGÉDIA BRASILEIRA
Manuel Bandeira
Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade, conheceu Maria Elvira na Lapa, - prostituída, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria.Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura... Dava tudo quanto ela queria.
Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado. Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa.
Viveram três anos assim.
Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa.
Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos...
Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestida de organdi azul.
- Peça aos alunos que façam uma leitura silenciosa e depois sugira que cada um leia uma parte do texto.
- Após a leitura, ressalte a semelhança na temática desse texto com a dos demais textos trabalhados até agora. Peça que produzam e entreguem a você um pequeno texto tratando das diferenças e semelhanças do tratamento dado aos relacionamentos nos textos trabalhados. Solicite que apontem o texto que retrata melhor o amor vivido nos tempos de hoje.
- Após dar tempo para produzirem o texto solicitado, passe para eles as atividades propostas abaixo.
Atividades
Como você já sabe, um texto narrativo deve responder a algumas perguntas básicas:
O QUÊ? – o(s) fato(s) que determina(m) a história;
QUEM ? _ a personagem ou personagens;
COMO? _ o enredo, o modo como se tecem os fatos;
ONDE? _ o lugar ou lugares da ocorrência;
QUANDO? _ o momento ou momentos em que se passam os fatos;
POR QUÊ? _ a causa do acontecimento.
Análise e discussão oral com as obras sobre “O Beijo”
Pedir aos alunos pesquisa sobre outras obras de arte com o mesmo tema.
Recursos Complementares
Avaliação
Professor: a avaliação deve ser feita ao longo das aulas, observação da fixação dos conteúdos, desenvolvimento e envolvimento dos alunos durante o projeto.
Outra atividade avaliativa é a produção de um texto narrativo, conforme proposta a seguir:
•Após estudarmos três textos narrativos com a temática dos relacionamentos pessoais, chegou sua vez de produzir uma narrativa sobre o mesmo tema: relacionamento, amor, paixão. Para isso, pense em todos os elementos da narrativa estudados (enredo, personagens, tempo, espaço, exposição, desenvolvimento, desfecho) e mãos à obra. Não se esqueça de revisar seu texto antes de entregá-lo ao professor.
Professor: corrija os textos e proponha a reescrita de acordo com as orientações dadas.
"Escrever (e ler) é como submergir num abismo em que acreditamos ter descoberto objetos maravilhosos. Quando voltamos à superfície, só trazemos pedras comuns e lascas de vidro e algo assim como uma inquietude nova no olhar. O escrito (e o lido) não é senão um traço visível e decepcionante de uma aventura que, no fim, se mostrou impossível. E sem dúvida voltamos transformados. Nossos olhos aprenderam uma nova insatisfação e já não mais toleram a falta de brilho e de mistério daquilo que nos oferece a luz do dia. Mas alguma coisa no nosso peito nos diz que, no fundo, ainda brilha, imutável e desconhecido, o tesouro."
LAROSSA, Jorge. In: SILVA, Ezequiel Theodoro da. Unidades de leitura: trilogia pedagógica. Campinas: Autores Associados, 2003, p. 46.
Relatos das experiências com leitura e escrita de professores de Língua Portuguesa.
O livro
Aos 11 anos tive uma professora fantástica! Hoje ainda a vejo pela rua, mas nunca tive coragem de dizer o quanto ela foi importante para minha formação. Fizemos um trabalho com o livro "Robinson Crusoé", todos os dias fazíamos a leitura de um capítulo do livro nas aulas de Língua Portuguesa, era uma leitura muito prazerosa, ela parava, explicava...
Após o término do livro fizemos a reescrita dos capítulos montando um livro nosso, com ilustração, dedicatória e tudo mais. Esse trabalho foi muito significativo para mim, ela realmente nos ensinou como um livro deveria ser lido.
E hoje, quando vou indicar uma leitura aos meus alunos lembro-me dessa professora e tento falar do livro como ela falava, com um prazer enorme.
NATALIA MARIANA FRARI - Professora de Língua Portuguesa
Leitura e escrita
A leitura e a escrita sempre foram uma parte fundamental da minha formação como pessoa e como profissional também, fui uma criança moradora de sítio em casas onde não havia luz elétrica nem água encanada um ambiente pobre onde morava com meus pais e outros irmãos, por isso não havia jogos eletrônicos nem brinquedos, o que restava como diversão e passa tempo depois do trabalho na roça ou em casa mesmo com os menores ou com a criação, era a leitura sob a luz da lamparina.
Primeiro foram às revistas em quadrinhos emprestadas dos colegas do vilarejo onde morava, depois os contos de fadas e outras leituras infantis da pequena biblioteca da escola rural, porém essas leituras logo ficaram pequenas para as necessidades de fuga do mundo real e suas necessidades, foi então que passei a escrever, primeiro recontando as histórias lidas sobre princesas e monstros me imaginando dentro delas, depois fui criando minhas próprias aventuras. Na adolescência já havia lido a maior parte dos clássicos da literatura e não clássicos também, lia tudo o que encontrava pela frente e estava em busca de leituras novas, coisas diferentes, mas faltava o principal, não tinha como adquirir novos livros.
Foi quando uma professora começou a ajudar não somente incentivando minha leitura e escrita, como também financiando muitas vezes a aquisição de novas leituras. Junto com a necessidade que eu tinha da ler foi manifestando também a vontade de ser professora talvez inspirada naquele meu anjo da guarda chamado Maria Concilia, isso aconteceu muito tempo mais tarde, e com os conhecimentos e habilidades de leitura adquirida na infância e adolescência me fizeram passar pela faculdade sem muitas dificuldades, hoje como professora sempre que possível compartilho com os alunos algumas dessas experiências vividas, comento o que gosto de ler, levo para a sala de aula alguns dos meus livros favoritos, fazemos rodas de leitura e de conversas.
Vejo que um ou outro aluno fica bastante interessado e às vezes até consigo enxergar nos olhinhos de alguns, aquele antigo brilho que havia nos meus próprios. Fico feliz quando pedem dicas de leitura, ou trazem algo escrito por eles mesmos para que eu dê minha opinião, assim, tento incentivar para formar leitores e escritores apaixonados e talvez um dia eu seja para alguns deles o que essa professora foi na minha vida uma inspiração.